segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Renovado convênio com a NASA na área de Geodésia Espacial

Por meio da Agência Espacial Brasileira (AEB), a Nasa acaba de renovar por mais cinco anos o convênio do Programa de Geodésia Espacial mantido entre os Estados Unidos e o Brasil. Segundo o professor e coordenador do Centro de Radioastronomia e Astrofísica da Universidade Mackenzie (CRAAM), Pierre Kaufmann, a renovação é uma consequência da qualidade dos resultados obtidos no Rádio Observatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), situado na cidade de Eusébio, no Ceará. O Programa de Geodésia Espacial é resultado da parceria entre o INPE e o Mackenzie.

O observatório de Eusébio – que funciona desde 1993 -, juntamente com uma rede mundial de radiotelescópios, é responsável por detectar irregularidades na rotação da Terra. Esta atividade serve para realizar pequenos ajustes nas órbitas dos satélites.

Pierre Kaufmann explica que sem esses ajustes de órbitas os satélites da constelação GPS poderiam fornecer informações incorretas. “Ao redor do mundo essas mudanças geodésicas são processadas e os modelos que descrevem as órbitas dos satélites são refeitos”, diz o coordenador do CRAAM/INPE.

Essas anomalias geofísicas da Terra são decorrentes de atividades vulcânicas e sísmicas, tsunamis e até do fenômeno climático El Niño. Kaufmann adianta que existe um esforço mundial para que essas medidas de irregularidades da rotação da Terra também possam ser usadas para a previsão de catástrofes naturais como terremotos.

Rádio Observatório

Situado em Eusébio, próximo a Fortaleza, o Rádio Observatório Espacial do Nordeste (ROEN) integra redes internacionais e apoia programas brasileiros de geodésia, cartografia e navegação fazendo uso de técnicas espaciais. O sistema consiste de uma grande antena de 14,2 metros de diâmetro, dotada da mais moderna e sofisticada instrumentação eletrônica para operar em programas de Geodésia Espacial.



Rádio Observatório Espacial do Nordeste (ROEN)

A tecnologia utilizada é rádioastronômica. Os quasares, situados a bilhões de anos-luz de distância, constituem fontes de rádio de referência. Com dois ou mais rádio-telescópios de uma rede observando simultaneamente, obtêm-se a interferência das ondas de rádio. A observação destes objetos ou "balisas" celestes por vários rádio-telescópios de uma rede de milhares de quilômetros permite a determinação de posições absolutas na superfície da Terra, com precisão inferior a um centímetro. Dadas as grandes distâncias que separam os terminais desta rede, denomina-se o método de VLBI (de "very long baseline interferometry": interferometria de muito longa linha de base).

O programa global de geodésia espacial, fazendo uso de VLBI, é essencial para várias aplicações modernas em cartografia, navegação e geodésia de precisão, bem como para programas de pesquisas envolvendo irregularidades da rotação da Terra, geodinâmica, movimento de placas tectônicas e sismologia, e avaliação quantitativa de mudanças globais do planeta.

São exemplos de aplicações do ROEN: suporte a serviços de cartografia, geodésia, navegação (que fazem uso da constelação de satélites GPS, cujos elementos orbitais são o tempo todo corrigidos a partir dos terminais de VLBI), navegação de sondas espaciais, orbitografia de satélites artificiais e disseminação de hora certa absoluta.

O monitoramento realizado a partir da rede de VLBI geodésico pretende investigar os movimentos plásticos do planeta, provocados por deriva dos continentes, movimentos de placas tectônicas com pesquisa sobre previsão de terremotos. As irregularidades do movimento de rotação da Terra são medidas por VLBI com precisão 100 vezes melhor do que métodos ópticos tradicionais. Com isso descobriu-se existir estreita associação entre determinados fenômenos meteorológicos globais de grande escala (como o El Niño).

Através do suporte de VLBI geodésico, é possível calibrar posições geodésicas absolutas de medidores de marés oceânicas para assim avaliar, no curso de pelo menos 10 anos, um eventual aumento do nível do mar que seria provocado pelo derretimento do gelo nas calotas polares do planeta.

Entre as unidades periféricas do ROEN, destacam-se padrões atômicos maser de hidrogênio, os mais precisos do mundo, receptores de elevada sensibilidade operando a baixíssimas temperaturas (receptores criogênicos) e sistema de aquisição de dados MARK III com capacidade de processamento superior a 100 Mbit/s.O ROEN integra as instalações do Centro Regional do Nordeste do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CRN/INPE).

Rádio Observatório Espacial do Nordeste (ROEN)

(Disponível em www.inpe.br)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Monte seu próprio modelo 3D no Google Earth

O Google anunciou, no final do ano passado, o lançamento da versão 7 do Google SketchUp para Mac e PC. O SketchUp é uma ferramenta para a criação de modelos 3D de edificações, estátuas, etc, que permite a importação e exportação para o Google Earth.
A versão gratuita implementa novas funcionalidades e uma integração ainda mais profunda com o Google 3D Warehouse, permitindo realizar pesquisas e importar modelos diretamente. Já a versão profissional do Google SketchUp inclui ferramentas para pessoas que trabalham na área de modelagem 3D, com funcionalidades adicionais.
Outra novidade do SketchUp 7 é o suporte a componentes dinâmicos, como portas e janelas que abrem, por exemplo. Os elementos dinâmicos não aparecem ainda no Google Earth, mas somente no 3D Warehouse.
A grande novidade do SketchUp é que ele é 3D. Diferentemente de outros softwares para desenho que utilizam vistas 2D para apresentar projetos, o SketchUp tem ferramentas de criação, visualização e edição que já são pensadas para o ambiente tridimensional.
Para baixar o SketchUp, acesse http://sketchup.google.com e baixe o arquivo de instalação. As ferramentas básicas para visualização dos modelos 3D são: orbitar, zoom e panorâmica.
O software permite a importação de desenhos de diferentes fontes, em formato dwg, dxf, 3ds e ddf; e imagens nos formatos jpg, png, bmp, entre outros. Os modelos 3D podem ser criados a partir de projetos pré-existentes ou podem ser criados novos desenhos. Após criar um polígono ou círculo em um dos planos, basta usar a ferramenta Empurrar/Puxar e escolher para que lado deve ser criado o volume.
Depois de criar os volumes em 3D, pode-se aplicar texturas nas faces. Estão disponíveis diversas cores e materiais, como pedra, carpet, vidro, entre outros. Por último, é possível posicionar o modelo em um local no Google Earth. Para isso, é preciso que o software esteja aberto e que o ponto de vista esteja próximo ao local desejado. Depois, dentro do Google SketchUp, basta clicar em Ferramentas>Google Earth>Colocar modelo.


Armazém 3D
O Armazém 3D do Google é uma coleção de modelos em 3D repleta de construções, pontes, carros, espaçonaves, sofás-cama, dinossauros e todas as outras coisas que há no universo. Lá você encontrará coisas que existem, coisas que já existiram e coisas que somente existem nas mentes das pessoas que as construíram e colocaram lá. O Armazém 3D é absolutamente grátis para qualquer pessoa que queira encontrar ou compartilhar modelos de qualquer coisa que imaginar.
(Disponível em www.mundogeo.com.br)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sistema monitora floresta alagada no Amazonas


Sistema automático de monitoramento aquático, construído pelo Inpe, é o primeiro a ser instalado em região de florestas alagadas da Amazônia. Equipamento, na Reserva Mamirauá, auxiliará estratégias de conservação

Monitoramento é feito via satélite e colaborará com projetos de conservação

Pela primeira vez, um sistema de monitoramento que integra estratégias de conservação do meio ambiente amazônico é instalado em uma região inteiramente composta por florestas alagadas. Com o nome de Sistema Automático de Monitoramento Aquático (Sima), desde junho esse equipamento está operando em uma plataforma flutuante no Lago Mamirauá, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas (AM).

O Sima já começou a coletar dados que permitirão respostas a diversas questões de pesquisas em andamento, dentre as quais a que estuda o padrão de distribuição espacial da abundância do pirarucu (Arapaima gigas) nos lagos da Reserva Mamirauá.

Peixe de alto valor comercial, o pirarucu só pode ser pescado em áreas de manejo – caso de Mamirauá – e de cativeiro. Em qualquer outra situação, sua pesca é proibida. O objetivo do estudo é entender como variáveis ambientais, dentre elas os pulsos de inundação e seu impacto sobre as propriedades da água, afetam essa espécie. As informações adquiridas a partir daí contribuirão com as estratégias de manejo desse peixe.

Além de atender as pesquisas, o Sima também permitirá comparar informações de Mamirauá, área praticamente sem impactos humanos e com regras de manejo, com as coletadas no Lago Grande de Curuaí, onde já existe um sistema desse tipo. Esse lago também fica no Amazonas e se localiza em uma região bastante degradada e antropizada.

“O Sima permite, teoricamente, que se separe o sinal das forças naturais sobre o ambiente aquático daquele produzido pelas ações antrópicas. Assim essa comparação dará respostas úteis sobre a resiliência desses dois tipos de ambientes”, explica a pesquisadora Evlyn Márcia Leão de Moraes Novo, da Divisão de Sensoriamento Remoto da Coordenação de Observação da Terra do Inpe.

O Sima mede diversas variáveis ambientais a partir de sensores colocados acima da linha de água, entre elas direção e intensidade de ventos, radiação solar incidente e refletida e temperatura do ar. Já abaixo da linha d´água, ele mede variáveis como turbidez e pH. Esses dados são adquiridos em alta freqüência e transmitidos, em média a cada hora, por satélites brasileiros.

“Entender como as propriedades físico-químicas da água se modificam ao longo do tempo, com que freqüência, como são afetadas pelas variáveis climáticas, pode vir a ajudar a melhorar as estratégias de manejo dos recursos não apenas na Reserva, mas também em outros locais”, explica Evlyn.

A iniciativa de instalação do Sima é do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), organização cogestora da Reserva Mamirauá, e do Inpe, duas das seis organizações que integram a Rede Geoma, do Ministério da Ciência e Tecnologia. O principal objetivo dessa rede é o desenvolvimento de modelos que avaliem e prevejam cenários de sustentabilidade na Amazônia e que contribuam para a formulação de políticas públicas.

O Sima instalado em Mamirauá foi construído no Inpe, sob a gerência de José Luiz Stech, pesquisador que integrou a equipe de desenvolvimento de um sistema parecido que opera em oceanos e que também atua na Divisão de Sensoriamento Remoto da organização.

O sistema foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Também recebeu apoio da Rede Geoma e recursos da Coordenação de Observação da Terra do Inpe e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O transporte do equipamento para Mamirauá foi apoiado pelo Comando Geral do Ar (Comgar) e pelo Exército Brasileiro.

(Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE)